23 de junho de 2009

Correm turvas as águas deste rio

"Correm turvas as águas deste rio,
Que as do céu e as do monte as enturbaram;
Os campos florescidos se secaram,
Intratável se fez o vale, e frio.

Passou o Verão, passou o ardente Estio,
Úas cousas por outras se trocaram;
Os fementidos Fados já deixaram
Do mundo o regimento, ou desvario.

Tem o tempo sua ordem já sabida;
O mundo, não; mas anda tão confuso,
Que parece que dele Deus se esquece.

Casos, opiniões, natura e uso
Fazem que nos pareça desta vida
Que não há nela mais que o que parece."
Camões

4 comentários:

Observador disse...

A que propósito a minha boa Amiga publicou esse magnífico trabalho do Luís Vaz de Camões?

CA disse...

Meu bom Amigo,
Interpretar Luíz Vaz de Camões sempre foi algo que me deu muito prazer; tenho por aqui alguns resumos, análises, ..., do trabalho deste grande Homem: hoje achei que, perante determinados momentos de vida, este poema tinha tudo a ver!!
E foi por isto...
Já agora: porque pergunta?
Beijinho
CA

Observador disse...

Porque quis perceber o que lhe ia na alma.
E creio que consegui...

CA disse...

Talvez sim, talvez não....:):):):)
Também acho que chegou lá!
Bj
CA