12 de novembro de 2008

Árvore de Sonhos (II)

Mas, para seu espanto, Cassandra disse-lhe:
- Querido, não te assustes. Vem cá…
A medo, mas a observar o olhar meigo de Cassandra, João aproximou-se.
- Que linda árvore de Natal! Só faltam os presentes, a família e uma mesa com doces: e tudo fica pronto para comemorar a noite de Natal! – exclamou Cassandra, com todo o seu carinho.
João não conseguiu controlar as lágrimas que teimavam em inundar-lhe os olhos. Já começavam a correr-lhe pela face seca do frio de Inverno.
Cassandra, de forma cautelosa, baixou-se e abraçou o menino.
- Diz-me querido, o que te faz chorar?
A muito custo, João controlou-se e conseguiu dizer algumas palavras:
- Tenho esta árvore… mas não tenho mais nada para a minha família comemorar o Natal. O meu pai trabalha muito e anda sempre zangado, a minha mãe está muito doente… não sei o que eu e os meus irmãos vamos comer na noite de Natal e sei que não vamos ter presentes…
Nesse momento, passou Pedro na companhia dos pais: brincavam com a neve. Faziam lindos bonecos, atiravam bolas uns aos outros… As suas gargalhadas não os deixaram passar sem se fazerem notar. Pedro, ao ver João na companhia de Cassandra começou a troçar dele. João não entendia o porquê daquela atitude, mas Cassandra sabia. Cassandra sabia que era chamada dos mais diversos e desagradáveis nomes pelos seus vizinhos; e parecia que nem a algumas crianças isso escapava.
Dias depois, era véspera de Natal.
Pedro andava pelas ruas a contar aos amigos o número de presentes que tinha na sua magnífica árvore, os doces deliciosos que a mãe estava a preparar para aquela noite.
João estava sentado com os irmãos perto da porta de casa a partir alguns galhos de árvore que iriam servir para aquecer a sua casa.
Como eram diferentes os seus mundos…
Pela primeira vez em dezoito anos, Cassandra percorre as ruas da aldeia. O espanto de todos era impossível de disfarçar. Burburinhos passavam de boca em boca. Mas o que estaria a acontecer? Porque teria tal pessoa vindo à aldeia? O Sr. António dizia até que poderia ser um mau presságio!
Cassandra dirigiu-se a casa da família de João. Entrou e, para desalento de todos os que ficaram de fora, ninguém soube o que se passou dentro daquelas paredes.
Cerca de uma hora depois, João, os seus pais e irmãos saem com Cassandra em direcção à casa desta.
Quando entram não queriam acreditar! Uma casa confortável, quentinha, uma mesa não muito abastada mas com tudo o que nunca haviam sequer experimentado; uma árvore de Natal minuciosamente decorada com alguns presentes em seu redor… Tudo como se de um sonho se tratasse. Mas era real!
Todos comeram, brincaram, riram… até Cassandra voltou a viver o Natal. Viveram uma noite que nunca iriam apagar das suas memórias.
No dia seguinte, quando João acordou, a sua nova amiga e o seu pai estavam na sala a conversar com um sorriso estampado na cara. Curioso, aproximou-se.
- João, a Cassandra já vive sozinha há muitos anos e não tem família. Convidou-nos para virmos morar com ela. O que achas?
O menino não coube em si de tanta felicidade. Não sabia se estaria a sonhar, se estaria acordado, não sabia o que dizer…
Era bom demais. Todos os seus problemas iriam ter um fim: o pai que já não tinha que trabalhar demais para dar de comer à família, a mãe que podia ter condições para se curar das suas gripes constantes, ele e os irmãos iriam poder comer como todas as outras crianças, todos passavam a dormir numa cama quentinha…
Cassandra pegou-o pela mão e dirigiu-se para a porta. Caminharam alguns metros e perguntou-lhe:
- Lembras-te daquela árvore de Natal? – apontando para o pequeno pinheiro ainda com os restos de algumas fitas de papel.
- Sim...- respondeu ele, expectante
- Foi junto dela que recebemos os nossos maiores presentes de Natal! – exclamou Cassandra.
O menino entendeu o sentido de cada palavra que ela tinha acabado de dizer.
A neve caía, o vento frio soprava, mas nada poderia interromper o abraço que houve a seguir àquelas palavras. O calor do Amor era muito mais do que o frio do Inverno.

21 comentários:

Carecaloira disse...

Já me fizeste chorar.
Que lindo conto escreveste, adorei.

Beijo grande
Marina

Cris disse...

Gostei,
fez-me sorrir!
Obrigada

Beijinhos

Cristina disse...

Querida Marina,
Ainda bem que gostaste. Está mais ou menos... O que me preocupou realmente foi conseguir criar algo que pudesse valer os 50 euros para a Casa do Gil: consegui e fiquei muito contente... A qualidade... mais ou menos.... Mas fico feliz por teres gostado.
Beijinho grande
CA

Cristina disse...

Cris,
Por um sorriso já valeu!!!
Beijinho para ti
CA

Cristina disse...

Cris,
Por um sorriso já valeu!!!
Beijinho para ti
CA

Cátia disse...

Amiga,

Cá está o final do teu conto, que desperta emoções. Aqui está o espírito do Natal, a sua magia... Cá está o poder de um gesto que tem repercursões bem maiores que imaginamos.

Gosto mt. Obrigada novamente pela tua participação.
Beijinhos para ti

Cátia disse...

Querida amiga,

Seguindo o teu exemplo, o teu pedido e conforme já tinhamos falado, hoje coloquei tambem o meu conto no ticho.

Fica so o aviso. Mais uma vez obrigada por seres esta pessoa linda que és.

Beijinhos

paula simoes disse...

olá amiga

obrigada pelo apoio e pelo carinho

quanto ao conto fez-me chorar está lindissimo, um grande momento de amor pelo próximo e mais nessecitados
desejo-lhe um bom fim de semana

beijinhos do tamanho do Mundo

Patrícia disse...

Deixo-te um beijinho de bom fim-de-semana..

Abraço apertado

Lisa disse...

Gostei muito!
Também me fizeste sonhar!
O teu conto, tem muito de realidade.
Ainda hoje encontramos estas diferenças sociais, infelizmente.

Que o Natal 2008 seja, para todos os meninos, como o Natal do João, cheio de surpresas boas!

Beijinho para ti e para a tua princesa.
Boa semana de trabalho.

Lisa

Tite disse...

Valeu a pena Cristina.
Vale sempre a pena quando a alma não é pequena.
A tua ficou enorme quando pensaste em ajudar a Casa do Gil.
Aliás, tal como ficou a Cassandra quando pensou ajudar o João e a sua pobre família.
Um bonito poema de Natal
Beijos imennnnnsos

Brancamar disse...

Cristina,

Passei para te deixar um beijinho, amanhã volto para ler o conto.
Desculpa, tenho vindo com intenção de o fazer, mas a semana passada andei "fugida" de todos com sono. Hoje e ontem fiz muitos trabalhos nocturnos por aqui e agora ia passar mais uma vez sem dizer nada, mas preferi deixar-te este abraço e voltar amanhã para ler com atenção.
Beijo
Branca

Lisa disse...

A música do teu blog é uma carícia para os meus ouvidos. ADORO!!!

Beijos doces como tu.

Lisa

Cristina disse...

Cátia,
O meu conto é um contito... Tem umas emoçõesitas pelo meio, mas....
Tu sabes qual é o único valor que reconheço nele: ter contribuído para o projecto... Mas não digo mais nada para não me candidatar a ficar com nódoas negras (ahahah)
Beijinho grande
CA

Cristina disse...

Paula,
Não agradeças por favor. Tal como te disse, se assim o entenderes, quero que te sintas completamente à vontade para me contactares.
Há momentos em que basta uma palavra amiga...
Beijinho grande
Força
CA

Cristina disse...

Patricia,
Obrigada pelo teu abraço. (quase que já dá para te retribuir os votos de bom fim de semana - o meu tempo sido menos do que pouco!!!)
Beijinho
CA

Cristina disse...

Lisa,
É essa a grande frustração: na escrita podemos sempre optar por um final feliz; na vida real.... nem sempre nos é possível, pouco está ao nosso alcance.
Beijinho grande
CA

Cristina disse...

Tite,
Obrigada pelas suas palavras sempre meigas, doces, e que me deixam com o miminho à flor da pele.
Beijinho grande
CA

Cristina disse...

Branca,
Como a compreendo!!!!
Estou em "divida" para com todos: não tenho tido tempo para nada!!!! Por vezes lá consigo tirar cinco minutos e passo a correr para sabes novidades, mas comentar.... não tenho tido qualquer hipótese...
Sinta-se sempre em casa. É bom sabê-la com toda essa força!!!
Beijinho
CA

Brancamar disse...

Olá Cristina,

Tive a vantagenm de vir no fim e poder ler o conto todo de uma vez. Adorei, tem um final com um significado enorme e dou-te os parabéns por isso e também por o colocares ao serviço da Casa do Gil.
Beijinhos

Cristina disse...

Querida Branca,
Obrigada.
Escrevi mesmo com esse fim: a Casa do Gil.
Beijinho grande
CA