31 de março de 2010

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada


"Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena..."

Alberto Caeiro

1 comentário:

Brancamar disse...

Olá minha querida,

Ontem passei pelo outro blog
Hoje venho maravilhar-me com este poema de Alberto Caeiro. Lindíssimo e tão verdade, a comunhão com a natureza e a partilha é fundamental.

Pobre daquele que apenas "atravessa a vida".

Beijinhos
Tia Branca

Beijinho grande para ti,
Branca